terça-feira, 19 de julho de 2011

Definindo o estilo do seu cliente...

Alguma spessoas tem seu personal trainer, seu hair style e seu designer de interiores. Para essas pessoas, esses profissionais são quase tão necessários quanto médicos, dentistas ou advogados. Embora um estudo sociológico dessa minoria seja interessante para se definir "estilo", não é para esta casta que me dirijo. Isto determinadas revistas já fazem muito bem.

Sem nenhum julgamento de valor, gostaria de propor dois personagens:

Número 1: Só pensa no status e é um eterno frustrado.

Perguntas e observações que o mesmo costuma fazer:

• Isso está usando?
• Eu quero um estilo chique.
• Seu projeto está muito engraçadinho, mas...
• Esse chão não vai lembrar o Botafogo?
• Essa cor serve para casa de campo ou praia?
• Eu sou muito tradicional, você sabe, é de família.
• Não acha melhor combinar as cortinas com os tapetes em tons cor-de-rosa?
• Essas cores vão assustar meu marido.
• Não está muito moderninho?
• Quantos tapetes persas devo comprar?
• Essa luminária é caríssima, deve ser linda!
• Não vai ficar cafona?

Número 2: Pensa em morar como algo muito importante e deseja melhorar o seu cotidiano e embelezando a casa.

Perguntas e observações que o mesmo costuma fazer:
• Gosto do estilo rústico, com ares campestres.
• Essa casa foi desenhada por um arquiteto.
• Esse é o investimento de uma vida. Tudo aqui tem um valor sentimental.
• Sinto que falta algo, mas não sei o que...
• Gostaria de atualizar minha casa, mas não quero que fique com cara de decorador.
• Tenho medo de usar essa cor.
• Isso é prático?
• Não tenho muito dinheiro.

São esses os dois tipos de orientação. Ambos confundem moda e estilo. O primeiro confunde ser chique com possuir bens materiais e fica sempre com o falso brilhante, como tapetes persas, porcelana chinesa comprada em Miami, esplhos do Palácio de Versalhes, luminárias de cristal, livros comprados por metro, muitos porta-retratos de prata exibindo momentos solenes: formaturas, aniversários, casamentos...
O segundo, tem como consciência de que jamasi conseguirá habitar o Palácio de Versalhes, apela para o oposto e se autodenomina rústico, com suas variações: country, hippie, étnico, etc.

A procurar um profissional, eles já trazem o seu acervo material e mental, suas expectativas e verdades. O papel do designer de interiores é, a partir desse acervo, buscar um novo arranjo ou outra forma que dê conta das expectativas e quebre algumas verdades. É nesse rompimento que nasce o estilo e se supera a moda.
Trecho do livro: LUGAR COMUM - "AUTO-AJUDA" DE DECORAÇÃO E ESTILO
LESLIE, Vera Fraga. 1990

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